Quem Precisa de Carro?
03/02/2010
Nos últimos meses o debate da mobilidade urbana tomou conta da nossa cidade. Derrepente, acordamos e percebemos que a antes tão bela e organizada Blumenau, tornou-se aos poucos uma cidade difícil de se transitar, com engarrafamentos e acidentes de trânsito similar a grandes centros. Porém, é preciso perceber que este debate não é privilégio de nossa cidade, mas, tal problema tem pautado as discussões de autoridades, políticos e estudiosos do mundo inteiro dedicados a resolver o problema da mobilidade urbana. Uma das respostas a esta questão que tem se levantado é a restrição do uso indiscriminado do automóvel.
Primeiro é preciso perceber que o automóvel é muito mais que meio de locomoção e que sua invenção não é também um passo rumo ao progresso como os publicitários fazem-nos crer.
O carro surgiu no século XVIII, mas sua popularização deu-se no período após a Segunda Guerra Mundial e a conseqüente expansão de sua produção. Tornou-se o principal símbolo da sociedade de consumo que se instaurou depois deste período. O caminho histórico se deu, através de uma profunda reorganização urbana, com o abandono do uso dos trens e a inviabilização de outros meios de transporte como carroças, bicicletas e as caminhadas, até a opção em massa do uso do carro privado como meios de transporte.
As conseqüências desastrosas desta opção dão-se, sobretudo, em relação à saúde pública. A fumaça do carro está ligada a doenças respiratórias como a asma. O simples ato de você vir a igreja com o seu carro, está sendo responsável pela emissão de monóxido de carbono, também pela liberação de chumbo e benzeno, ambos gazes tóxicos. Entre outros óxidos de nitrogênio, o carro produz dióxido de carbono, que é o principal causador do efeito estufa.
Outra conseqüência para a saúde devido ao uso do automóvel, são os chamados “acidentes de trânsito”. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito, no Brasil, morrem por ano cerca de 43.000 pessoas. E o pior, é que estas mortes são despolitizadas ao serem chamadas de “acidentes”. Os acidentes não são de fato acidentais e inevitáveis. São conseqüências de um modo específico de acumulação e vida social, portanto contestáveis.
Um acidente de carro é parte de um círculo vicioso. Preocupados com a segurança da nossa família e com o objetivo de chegamos mais rápido ao destino, vamos de carro para todos os lugares, contribuindo assim, para aumentar o problema que lutamos contra.

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