Mudanças
30/12/2011
Você já observou quantas caixas são necessárias para se fazer uma boa mudança? Aliás, numa mudança, caixas nunca são demais. Usamos caixas para guardar roupas, caixas para as louças, caixas para os eletros e até caixas para colocar outras caixas dentro. Com caixas, controlamos a situação e mantemos tudo como planejado. Caixas têm tamanho definido (por isso nem pense em apertar a tampa para caber mais uma taça de cristal dentro). Ao colocar algo numa caixa esperamos que isso não saia dela sem a nossa autorização. Nada de surpresas, certo? Errado.
Nem toda mudança cabe em caixas, nem sempre é simples assim. Que o diga aquele jovem que acordou com um bom emprego e foi dormir desempregado. São mudanças. Ou, quem sabe, o casamento já estava marcado, a festa paga e todos os convites entregues, mas na última hora o seu noivo achou melhor “dar um tempo”. Agora ele está com outra. Mudanças.
Exames cabem numa caixa de camisa, mas existe uma para colocar aquela doença? Você nem percebia o quanto a sua vida era perfeita, mas aí veio aquele acidente de carro e tudo mudou. A dor não passa e o médico disse que o tratamento será longo. Ou ainda, aquele era só mais um banho, até que uma pequena mancha na pele chamou a sua atenção. Na consulta de “rotina” o médico disse que é um tumor maligno e você vai ter sorte se vencer essa. Isso muda tudo não é? Um tombo, um assalto, uma briga ou uma separação. Uma sessão de quimioterapia ou uma consulta com o psiquiatra. A perda de alguém, da saúde ou do emprego.
Mudamos projetos, encaixotamos sonhos, guardamos a esperança de um amanhã melhor no fundo de uma caixa. Onde você deixou a fé? Não consigo achar paciência. Alguém achou uma caixa com alegria? Está lacrada com fitas e ressentimentos, já faz anos que não a encontro. Eu lembro de uma caixa grande, que estava cheia de amor. Será que alguém jogou fora por engano?
A verdade é que não gostamos de mudanças. Reclamamos da mudança de clima, de governo ou empregos, e sofremos para mudar de casa (essa é a pior). Nenhuma mudança é boa ou ruim, é apenas uma mudança. Boa ou ruim é nossa reação a ela.
Jesus entende de mudanças e Ele entende muito de caixas. Antes de nascer em Belém, morar no Egito e voltar para Nazaré, Ele reinava na eternidade. Abriu mão de sua glória para viver entre nós. Ele sabe o que é enterrar alguém próximo, pois Jesus foi ao enterro de seu primo, João Batista. Nosso salvador foi perseguido, odiado, traído, negado e abandonado pelos seus. Sim, ele entende de mudanças. Cristo está mais próximo de você do que aquele tumor, ele está bem ao seu lado nas longas (eu sei o quanto são longas) noites ao lado de alguém amado num quarto de hospital.
Nessa vida podemos perder pessoas, saúde e dinheiro, mas não precisamos perder a fé. Não jogue a vida eterna num canto qualquer. Independente da mudança que você tiver que enfrentar (e eu sei que ainda enfrentaremos muitas) sempre leve junto o que é mais importante. Lembre que nossa última mudança será para uma casa que Jesus já preparou para nós.


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