Família, Relações de Cuidados e Cuidadores
15/04/2009
Cuidadores são familiares ou profissionais que se relacionam com pessoas que demandam atenção e assistência, variando as necessidades, os contextos e a intensidade dos cuidados. Seu trabalho está pautado no vínculo, na relação direta, na afetividade e na percepção de necessidades da(s) pessoa(s) envolvida(s). Trata-se de atividade intrinsecamente humana, muitas vezes tensa, difícil e desgastante.
As atividades de cuidado humano, apesar da relevância e da diversidade em que ocorrem, não são prestigiadas na sociedade moderna. Um dos motivos seja, talvez, porque o cuidado não é uma ação que exija, a priori, os atributos da razão ou do uso de tecnologias. Atualmente, observamos uma valorização (ainda tímida) de profissionais que atuam nas relações de cuidado. Em parte, este reconhecimento se iniciou no campo da saúde, quando constatado que o cuidado permeado de intencionalidade é indispensável na recuperação de pacientes, no humor de pessoas adoecidas ou idosas que dependem de um assistente, no desenvolvimento das crianças “bem-cuidadas” tanto na família quanto nas unidades de educação.
Ainda falando de saúde, lembramos que hoje, pacientes psiquiátricos estão sendo atendidos, prioritariamente, na convivência de suas famílias, sendo um dos fortes motivos, o fato de que os cuidados familiares não podem ser supridos nas instituições. Com isso, a política de saúde mental tem tido a preocupação com os familiares (cuidadores) destes pacientes, e já são comuns alguns grupos de ajuda profissional às famílias de pacientes.
Esta lógica de saúde que acolhe e atende a todos os envolvidos nos processos de adoecimento não é aceita por muitos, porque ainda existe uma forte concepção de querer tratar “o problema” fora do seu contexto. A propósito, nesta concepção ergueram-se os manicômios e diversas instituições para abrigar os doentes do corpo, da alma e da cultura.
Especialmente falando de saúde mental, assistimos ao fortalecimento das famílias e o seu retorno histórico enquanto principal agência de cuidado humano.
Uma regra fundamental nos processos de cuidado humano é que as demandas integrais não podem ser atendidas somente por uma única pessoa. Psicoterapeutas que acompanham pessoas gravemente adoecidas estimulam a formação de um grupo de colaboradores com parentes, amigos e vizinhos para compartilhar as tarefas domésticas, o acompanhamento de saúde e a convivência diária visando tanto a motivação e a recuperação do paciente, quanto a prevenção para que não adoeça gratuitamente aquele que sozinho absorve as demandas pelo cuidado da pessoa adoecida.
Cada dia se expande as necessidades e as possibilidades de atuação para cuidadores. Entretanto, respeitando os princípios da prevenção em saúde, compreende-se que aqueles que se entregam às atividades, sejam familiares ou profissionais de cuidado, também precisam receber cuidados e atenção. Diga-se de passagem, que estas relações de ajuda (sobretudo quando integral) expõem o trabalhador ao risco. Fazem parte deste grupo os educadores, os técnicos de saúde, os trabalhadores sociais, os pastores, os terapeutas e os conselheiros familiares.
Assim, o “cuidado ao cuidador” vem se tornando uma expressão de ordem e de ações no âmbito da psicologia pastoral comprometida com a saúde na família e no ministério daqueles que atendem as comunidades cristãs nas suas mais diversas demandas. Esta prática de orientação é conhecida dos psicoterapeutas que contam com a supervisão de profissionais mais experientes e atenciosos a fim de não trazerem prejuízos para si e para seus pacientes.
Consideramos, finalmente, que cuidar é uma aprendizagem que passa também pela experiência de receber cuidados!


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